Pesquisador Guilherme Vasconcelos Pereira no Seminário Internacional de Riscos e Desastres, em 10/06/26, na UFF em Campos dos Goytacazes (RJ)

Riscos e desastres em discussão internacional

Seminário aborda impactos diferenciados da crise climática global

Pesquisador Guilherme Vasconcelos Pereira no Seminário Internacional de Riscos e Desastres, em 10/06/26, na UFF em Campos dos Goytacazes (RJ)
Guilherme Vasconcelos no Seminário

Gestores públicos e técnicos da defesa civil de vários municípios fluminenses juntaram-se a pesquisadores e lideranças de movimentos sociais para discutir, de 9 a 11/06, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Campos dos Goytacazes (RJ), os desafios cada vez mais concretos postos à gestão de riscos e desastres face ao agravamento da crise climática global. O debate ocorreu durante o III Seminário Internacional de Riscos e Desastres Socioambientais: revisitando trajetórias, construindo novos caminhos, organizado pelo Núcleo de Pesquisas e Estudos Socioambientais (NESA) da UFF.

Segundo Érica Tavares, coordenadora do NESA/UFF e pesquisadora do Núcleo Norte Fluminense do INCT Observatório das Metrópoles, o Seminário trouxe contribuições novas — incluindo pontos de vista de outros países — para a reflexão sobre a desigual distribuição dos riscos e danos associados às mudanças climáticas. Entre os municípios que enviaram gestores ou técnicos que lidam diretamente com a questão ambiental estão Angra dos Reis, Campos dos Goytacazes, Niterói e Petrópolis, com destaque para a participação da Defesa Civil de Campos dos Goytacazes.

— A temática do Seminário tem grande afinidade com o projeto de Adaptação Climática que desenvolvemos, no âmbito do INCT Observatório das Metrópoles, em cooperação com a UFRJ e o Ministério das Cidades — comenta Érica. Ela se refere ao projeto AdaptAÇÃO, que selecionou e contemplou 50 propostas municipais com assessoria técnica para aprimorar instrumentos de política urbana com vistas à adaptação climática e está em andamento.

Na conferência de abertura, Horacio Machado Aráoz, da Universidade Nacional de Catamarca, Argentina, abordou a associação entre a crise climática e os efeitos do capitalismo no século XXI. Na mesa sobre desastres e racismo ambiental, no segundo dia, o tema foi tratado pelas professoras Débora Swistun (Universidade Nacional de Avellaneda – Argentina) e Josiane Soares Santos (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN). Em comum, as exposições acentuam que o caráter global da crise não esconde que certos segmentos da sociedade pagam um preço muito maior.

Cidades e ambiente – O trabalho apresentado por Guilherme Vasconcelos Pereira, doutor em Sociologia Política e pesquisador do Núcleo Norte Fluminense do Observatório das Metrópoles, é um exemplo. Ao abordar as transformações vivenciadas nos últimos anos pelo município de São João da Barra, o trabalho expõe o contraste entre os indicadores econômicos e os sociais.

— O produto interno bruto per capita é excepcionalmente alto, impulsionado por um setor industrial dominante e pela pujança no setor de serviços. Porém, mais de um quarto da população se encontra em situação de pobreza e um em cada dez indivíduos vive em extrema pobreza — pondera Guilherme, citando um trecho do estudo que tem como autores Érica Tavares, Daniela Bogado Bastos de Oliveira, Jefferson da Silva Carvalho e Roberta Rodrigues Soares, além dele próprio.